Um sobre Zero #4

Olá, eu sou o António Lopes e esta é a newsletter do Um sobre Zero, um podcast sobre o futuro da ciência e tecnologia.

Para entrar no fim de semana de bom humor

Tinha de ser feito #SuezCanal #Evergiven:

Felizmente, a aventura já passou e não houve vítimas no acidente... quer dizer, tirando o orgulho do Capitão do barco.

Anteriormente... no Um sobre Zero

Agora que estamos a passar uma fase de maior alívio em relação à pandemia e os números parecem estar a manter-se baixos (esperemos que continuem até termos uma boa parte da população vacinada), vale a pena começar a pensar nas consequências de os serviços de saúde terem estado este tempo todo focados (e bem) no problema da COVID-19. A verdade é que outros problemas poderão ter ficado à espera para agora começarem a dar um sinal de alarme.

Esta semana, relembro o episódio 36 do Um sobre Zero, em que falámos de Telemedicina e Saúde Mental. Foi um episódio que permitiu discutir a importância de usarmos as tecnologias para darmos atenção aos outros problemas que foram ficando escondidos, como a Saúde Mental.

As notícias da semana

Anti-viral contra o novo coronavírus?

Pfizer anunciou que vai iniciar os testes de Fase 1 de um novo medicamento antiviral de combate ao SARS-CoV-2. Esta fase representa a altura em que testam a segurança do medicamento em adultos saudáveis. Depois irão naturalmente testar o medicamento em adultos que terão contraído o vírus para testar a eficácia do medicamento.

Se se provar ser um medicamento eficaz (e para determinar isso, ainda serão precisos muitos meses), então será mais uma arma para a luta contra a pandemia, a juntar às vacinas já existentes.

Um doughnut por dia, nem sabe o bem que lhe fazia (na verdade, não)

Para incentivar a vacinação, a conhecida empresa de doughnuts nos Estados Unidos, Krispy Kreme, decidiu iniciar uma campanha em que oferece um doughnut por dia a quem mostrar a sua carta de vacinação contra o novo coronavírus.

É um bocado triste que tenham de incentivar as pessoas por esta via, mas tendo em conta o movimento anti-vacina que opera em força nos EUA, toda a ajuda é pouca. Mas cheira-me que depois de resolverem a pandemia, vão ter de lidar ainda mais com o problema da obesidade.

Já perdi a conta aos clones do Clubhouse

semana passada eu falava sobre como o Telegram estava a trabalhar num ambiente de conversas áudio ao vivo. Esta semana, mais 3 plataformas se juntam ao clube das plataformas que querem criar clones do Clubhouse: LinkedInSlack e Spotify. O Clubhouse está sem dúvida a tornar-se nas novas "stories", tal como quando o Snapchat as inventou e a seguir todas as outras redes decidiram que deveriam ter stories.

Mas agora vê-se que está tudo doido para entrar neste mundo da rádio reinventada. Eu continuo a achar que esta é capaz de ser uma moda que não vai vingar no futuro, a não ser que consigam resolver o problema de como ajudar o utilizador a encontrar conteúdo interessante quando entra na aplicação. A ver vamos.

Sobre a importância de proteger a liberdade de uso de criptografia segura

Caso não se tenham ainda apercebido, a Comissão Europeia revelou a sua intenção de regulamentar o uso de criptografia nas comunicações digitais de forma a permitir, que as autoridades policiais possam aceder e ler as comunicações cifradas, quando a justiça assim o entender. Ora, se efetivamente este tipo de regulamentação vier a existir, as diversas plataformas que cifram os dados em comunicações digitais vir-se-ão obrigadas a criar "backdoors" específicas para permitir o acesso excepcional aos conteúdos cifrados.

Os argumentos da classe política nestas questões são sempre os mesmos: "quem não deve, não teme" ou "só as autoridades terão acesso a isto". Ao que eu respondo:

  • É verdade, quem não deve, não teme. Mas eu tenho o direito e a liberdade de manter a minha privacidade como eu entender e não ter nada a "dever" não quer dizer que eu tenha de ser obrigado à exposição pública, seja de que faceta da minha vida for.

  • A ilusão da classe política de que "só as autoridades terão acesso a isto" é completamente ingénua. Não só se sabe que estas backdoors não ficam privadas durante muito tempo (dando portanto azo a que pessoas mal intencionadas as usem para fins bem nefastos), como são também sobejamente conhecidas as histórias daqueles que com poder abusam do mesmo para aproveitamento próprio.

A ilusão de controle que legislação deste tipo dá é tão perigosa como ineficaz. E por isso mesmo, esta semana, um conjunto de personalidades da área da proteção dos direitos digitais juntou-se para escrever uma carta aberta à Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.

Recomendações de leituras para o fim de semana

A identidade de Satoshi Nakamoto, o pseudónimo do inventor da Bitcoin, continua por desvendar. Nesta leitura recomendada, é especulado sobre se a razão porque não se conseguiu desvendar ainda a sua identidade, possa ser porque este poderá já não estar vivo. Infelizmente, há muitas mentes brilhantes do mundo da tecnologia que cometeram suicídio, e Len Sassaman, aquele que se especula no texto ser Satoshi, foi um deles. Se assim for, é triste que ele não tenha visto naquilo que a sua visão, a Bitcoin, se tornou.

A parte interessante da forma como a Inteligência Artificial (IA) evoluiu, é que acabamos por ver resultados inesperados na sua aplicação. Neste texto do New Yorker, é explicado como é que uma IA que foi desenvolvida para detetar pastelaria com uma abordagem quase artesanal e cuidada usada na geração do modelo que apoia a deteção, acabou por ser posteriormente usada para detetar cancro (pelo facto das células cancerígenas, quando vistas ao microscópio, serem parecidas com pão). Com uma eficácia de 99%, isto é um avanço brutal na eficácia da deteção precoce do cancro e pode representar muitas vidas salvas.

Recomendações de podcasts para o fim de semana

Quem se lembra do Geocities? Eu lembro-me, até porque foi o sítio onde criei o meu primeiro site, algures no final da década de 90. Este episódio do 99% Invisible faz um relato histórico da plataforma, como cresceu, como morreu e como um grupo de bons samaritanos conseguiram arquivar a maior parte do seu conteúdo que é mantido hoje em dia apenas pela boa vontade de muitos. Vale a pena ouvir, nem que seja pelo factor nostalgia da web dos anos 90.

Brevemente... no Um sobre Zero

O meu filho veio novamente fazer-me uma daquelas perguntas sobre tecnologia (como já fez antes). Mas desta vez eu virei a pergunta para ele. Vamos ver se ele consegue responder.

Nota final

Sabem aquelas situações chatas em que não se lembram do nome de uma coisa? Pois, parece que há na internet um "dicionário invertido" que é uma excelente ajuda para essas situações. E o que é um "dicionário invertido", perguntam vocês?

Ora, como o nome indica, nós damos a definição e o dicionário dá-nos a palavra que procuramos. Por exemplo, se eu lhe perguntar sobre um "fruto castanho e verde com pelos", ele responde-me com "kiwi". Pena que é só em Inglês.

Querem experimentar? Podem fazê-lo aqui.

No sábado passado, tive o prazer de aceitar o convite do Hugo Barbosa e escrever um texto sobre Inteligência Artificial. Ficou um pouco grande, mas foi feito com muito gosto. Ides ler.

Boa Páscoa